Quando olhamos para a trajetória da Apple, é inevitável recordar os dispositivos que ajudaram a consolidar o império da marca. O modelo clássico, operando com o sistema iOS 13 e disponível desde o início de 2017, trazia dimensões precisas de 138.4 x 67.3 x 7.3 mm. O design compacto abrigava uma tela IPS LCD de 4.7 polegadas com taxa de atualização de 60 Hz, capaz de reproduzir 16 milhões de cores. A resolução de 750 x 1334 pixels e a densidade de 326 ppi entregavam uma experiência visual nítida, tudo protegido por vidro resistente a arranhões em um corpo de apenas 148 gramas com resistência à água. O aparelho utilizava um único chip Nano SIM, deixando de lado o Dual SIM, rádio FM ou TV, mas garantindo recursos fundamentais como viva-voz, vibração e criação de hotspot Wi-Fi.
Hardware e multimídia que marcaram época Por dentro, o motor responsável pelo desempenho era o chipset Apple A11 Bionic de 64 bits. Essa peça combinava dois núcleos Monsoon e quatro núcleos Mistral, trabalhando em perfeita sintonia com a GPU Apple M11 e 2 GB de memória RAM. Havia generosos 256 GB de armazenamento interno, sem possibilidade de expansão. A conectividade oferecia suporte a redes LTE, HSPA+, Wi-Fi 802.11ac veloz, Bluetooth 5.0, NFC e um sistema de localização avançado com A-GPS, GLONASS e Galileo. No quesito fotográfico, a câmera traseira única de 12 megapixels apresentava um sensor de 1/3 de polegada, abertura f/1.8 e estabilização ótica. Ela entregava fotos de 4608 x 2592 pixels e gravação de vídeos em 4K a 60 quadros por segundo, além de câmera lenta a 240 fps e gravação dupla. A lente frontal de 7 megapixels com ângulo de 75 graus garantia selfies em Full HD com detecção facial, HDR e reconhecimento de sorrisos. O pacote de hardware se encerrava com leitor de impressão digital, barômetro, acelerômetro, giroscópio, microfone de redução de ruído e uma bateria de lítio de 1821 mAh.
O contraste com a nova era dos smartphones Hoje, o cenário da tecnologia móvel mudou drasticamente. Embora os atuais topos de linha da empresa continuem impressionando — como o poderoso iPhone 17 Pro na cor laranja cósmico, que desperta paixões até mesmo quando acidentalmente adquire um tom rosado —, existe uma ausência bastante sentida no portfólio da marca: o tão especulado “iPhone Flip”. Quase todas as grandes fabricantes de aparelhos Android já estão várias gerações à frente em suas próprias linhas de telefones dobráveis. Gigantes como Samsung, Google, Motorola, OnePlus, Xiaomi e Honor refinam continuamente seus hardwares a cada novo lançamento. A Oppo já navega no seu quinto ano de experiência com esse formato, sendo o Find N6 o resultado direto de todo esse desenvolvimento. A empresa de Cupertino ainda não deu sequer o primeiro passo nesse segmento, o que passa a forte sensação de que está chegando um pouco tarde para a festa.
A ameaça silenciosa no mercado premium Isso tem enorme potencial para se tornar um problema real nos próximos anos. A Apple domina com folga a categoria de celulares premium, mas os dobráveis já começam a morder os calcanhares da marca, afinal, eles ocupam exatamente essa mesma faixa de preço e prestígio. Dados recentes da Motorola revelam que 20% dos consumidores que compraram o modelo dobrável Razr vieram diretamente do iPhone. Paralelamente, a Samsung já comanda a sétima geração de suas séries Flip e Fold. Durante uma viagem a Seul, a especialista Lisa Eadicicco notou que esses aparelhos dobráveis já estão por toda parte na Coreia do Sul. Com praticamente todas as rivais apostando pesado nesse mercado, existe um risco iminente da Apple perder clientes em potencial. Deixar que as concorrentes se tornem o principal nome associado aos celulares dobráveis tornará a missão da marca muito mais difícil quando ela finalmente decidir lançar seu próprio dispositivo. Somado a isso, os primeiros entusiastas dessa tecnologia podem acabar tão enraizados no ecossistema Android que a vontade de migrar novamente para o iOS simplesmente deixará de existir.
Uma tranquilidade sustentada por números frios Apesar de toda essa pressão externa, a fabricante norte-americana não demonstra qualquer sinal de desespero. Estimativas do setor apontam que cerca de 20 milhões de dispositivos dobráveis, considerando a soma de todas as marcas, foram vendidos mundialmente em 2023. Em contrapartida, a Apple comercializou impressionantes 26,5 milhões de unidades apenas do modelo iPhone 14 Pro Max durante o primeiro semestre daquele mesmo ano. O crescimento nas vendas de aparelhos com telas flexíveis estagnou ao longo de 2024 e o desempenho no ano de 2025 não foi muito diferente, segundo relatórios detalhados dos analistas da CounterPoint Research. Ainda assim, é inegável que a Samsung chegou a registrar recordes absolutos de pré-venda com o seu dobrável mais recente. Diante de toda essa matemática, a diretoria da Apple claramente acredita que o momento certo de agir ainda não passou.